Ricos ganham 39 vezes o salário dos mais pobres em regiões metropolitanas

Escrito por em 05/05/2021

Desigualdade na renda do trabalho nas regiões metropolitanas brasileiras atingiu patamares recordes em 2020 e não havia se recuperado quando, no fim do ano passado, o governo interrompeu o pagamento do auxílio emergencial aos trabalhadores mais pobres.

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, nesse contexto, a renda dos 10% mais ricos passou a representar 39 vezes o ganho dos 40% mais pobres, considerando a média dos quatro trimestres de 2020. Um ano antes, essa diferença era de 29 vezes. Os dados fazem parte da terceira edição do boletim Desigualdade nas Metrópoles, a

O levantamento foi desenvolvido pela PUC-RS, pelo Observatório das Metrópoles e pelo RedODSAL (Observatório da Dívida Social na América Latina). São utilizados dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE, cuja série começa em 2012.

O estudo considera a renda do trabalho. Não inclui benefícios emergenciais, como o auxílio que foi pago no ano passado de maio a dezembro. A divisão da renda dos 10% mais ricos pelos 40% mais pobres para medir a desigualdade é conhecida internacionalmente como Índice Palma.

O aumento da diferença de 2019 para 2020 é explicado por uma queda maior nos ganhos daqueles com menores rendimentos. Entre os mais ricos, o recuo foi menor.

Considerando apenas a média do último trimestre de cada ano, a renda do trabalho para os mais pobres recuou 34,2%, de R$ 237,18 por mês no final de 2019 para R$ 155,95 nos últimos três meses de 2020.

Entre os 10% mais ricos, o recuo foi de 6,9%, para R$ 6.356. Para o grupo intermediário, que representa 50% da população, caiu 8,6%, para R$ 1.195.

Segundo a Folha, as maiores diferenças de ganho entre os mais ricos e os mais pobres foram verificadas nas regiões metropolitanas de João Pessoa (88,3 vezes) e do Rio de Janeiro (59,7). O Rio mostra, historicamente, níveis de desigualdade semelhantes aos dos estados do Norte e Nordeste, os mais pobres do país.

Na região metropolitana de São Paulo, ficou pouco acima da média (40,2 vezes). As menores diferenças estão nas regiões de Curitiba e Goiânia, ambas com 23,2 vezes

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