Salvador precisa vacinar 90% da população para ter Carnaval seguro, diz Fiocruz

Escrito por em 23/11/2021

Para que o Carnaval de Salvador aconteça com segurança é preciso que 90% da população esteja completamente imunizada e que os números da pandemia reduzam. As recomendações são do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz-Bahia) e foram enviados para a audiência pública da Câmara Municipal que debateu, nesta terça-feira (23), a possibilidade de realização da festa. Apesar disso, o Instituo disse que o anúncio da folia pode ser positivo. Atualmente, apenas 72% da população está totalmente protegida na capital.

A carta foi lida pelo presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Retomada de Eventos, Cláudio Tinoco (DEM), e foi enviada pela diretora da Fiocruz-Bahia, Marilda Gonçalves. Ela foi convidada para a audiência, mas não pode comparecer porque já tinha outro compromisso marcado, e disse, na carta, que consultou o Observatório Covid-19 da Fiocruz e que os membros chegaram ao consenso sobre algumas orientações.

“A primeira questão é que tudo dependerá do cenário no período que antecede o Carnaval, a partir de janeiro. Embora o cenário no Brasil esteja melhorando, não temos nenhuma garantia de que irá permanecer do mesmo modo, como está ocorrendo agora na Europa. Há ainda muitas incertezas e tudo dependerá da evolução da pandemia nos próximos meses”, diz o documento, que cita as festas de fim ano como termômetro para a pandemia.

A carta segue afirmando que a orientação tem sido de vacinar 80% da população para que haja segurança, mas que eventos como o Carnaval exigem ainda mais cuidados. “Considerando que o Carnaval é um evento de massa, com muitas aglomerações e circulação de pessoas, de outros estados e países, consideramos muito importante que a vacinação tenha avançado mais ainda, com pelo menos 90%”, diz.

Apesar das ressalvas, o Instituo acredita que anunciar a realização da folia pode ajudar a intensificar a vacinação e disse que é preciso exigir o passaporte da vacina, inclusive de estrangeiros,. “Neste sentido, seria importante que qualquer programação para o carnaval, e sabemos da necessidade de uma programação antecipada, poderia ser encarada como uma oportunidade para estimular a vacinação das pessoas, principalmente dos jovens”, afirma.

Após a leitura da carta, representantes de diversas entidades de classe se alternaram na tribuna com argumentos favoráveis e contrários a realização da festa. Alguns disseram que o carnaval não é o vilão, que as pessoas precisam trabalhar, que a vacinação está avançada e que não faz sentido fechar Salvador com as outras cidades abertas.

Quem é contra diz que as aglomerações são um problema e o Carnaval é uma aglomeração, que os números da pandemia permanecem os mesmo desde setembro, sem aumentar, mas também sem reduzir, e que a vacinação sozinha não resolve. O presidente da comissão especial, Cláudio Tinoco, avaliou a audiência de forma positiva e disse que ela cumpriu o propósito de debater o tema.

“A Fiorcuz considerou pelo menos dois cenários para organizar o Carnaval. Em um deles, com a pandemia controlada e sendo possível a realização das atividades. Em outro, com recrudescimento da pandemia e sendo limitado o número de atividades. Estou indo à São Paulo conversar com o secretário responsável pela organização do Carnaval de rua deles para entender quais medidas eles estão adotando e depois vamos elaborar um relatório”, disse.

A audiência também foi organizada pela Comissão do Carnaval da Câmara e o encontro aconteceu no Centro de Cultura, na Praça Municipal. O documento vai reunir as discussões ocorridas nas três audiências e as informações colhidas na viagem, e será debatido pelas comissões na segunda-feira (29). A audiência começou às 9h30 e durou 4h.

Atualmente, a Bahia está registrando entre 400 e 500 novos casos de Covid por dia. O dado é mesmo desde setembro, o que tem preocupado os especialistas. Em Salvador, 287 mil pessoas ainda não foram tomar a segunda dose e a dose de reforço.

O prefeito Bruno Reis (DEM) disse que terá uma reunião com o governador Rui Costa (PT) para discutir o assunto. “Muito provavelmente, ainda essa semana”, disse, mas não forneceu mais detalhes sobre o encontro.

Com informações do Correio

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